Publicado por Ricardo Caetano – ESPN.

Gols de fora da área, viradas inexplicáveis e rendimento abaixo do esperado. A sorte (ou a falta dela) no FIFA 18 está realmente interferindo no desempenho de alguns jogadores e se tornado um tema recorrente, inclusive para os jogadores profissionais, como é o caso de Rafael “rafifa13” Fortes.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, rafifa13 fez um balanço de sua ligação com o Paris Saint-Germain, a primeira etapa do FIFA Global Series e por que “ameaçou” deixar de FIFA graças a problemas do circuito.

Na opinião do jogador, o sistema novo, com etapas e ranking que seleciona os melhores competidores para o Mundial, ainda precisa de ajustes para receber melhor os jogadores brasileiros. “Em geral, ter dois eventos da EA Sports e torneios de terceiros, como as ligas australiana, alemã e norte-americana, é algo bastante louvável. Porém, este progresso ainda não chegou em algumas regiões. Exceto pelos eventos oficiais da EA, as chances de classificação dos brasileiros são mínimas, pois até agora não foi divulgado nenhum [torneio] para a América do Sul. É alarmante, mas espero que as coisas mudem, já que os brasileiros tiveram grandes conquistas no ano passado.

A primeira etapa do FIFA 18 Global Series na Espanha, realizada no último mês de janeiro, foi tema de análise de Rafael. Para o jogador, as formações usadas no evento mostram claramente os diferentes estilos de jogo entre os brasileiros e os atletas da Europa, algo que deixa os competidores daqui em certa desvantagem.

“Os competidores em Barcelona usaram bastante as formações ‘4-4-2’ e ‘4-2-3-1’. Nós brasileiros ainda seguimos uma cultura diferente com o ‘4-1-2-1-2’, muito mais ofensiva, mais direta na construção das jogadas. Os europeus trabalham com a calma e toque de bola, além de uma formação mais aberta”, explica.

Como as formações afetam diretamente os estilos? Rafael conta que “os brasileiros jogam com uma formação mais centralizada. A estratégia deles acaba sendo superior, pois ‘rodam’ bastante a bola entre as laterais e nós, com uma estratégia mais centralizada, temos que abrir muito para marcar os pontos adversários. Temos que nos acostumar”.

OS PROBLEMAS DE FIFA 18

Abordamos o jogador para saber, em sua opinião, quais são os maiores problemas na sua opinião em FIFA 18, assunto recorrente na comunidade. Para o jogador há dois pontos a se falar sobre o game e seu ecossistema: infraestrutura e gameplay.

“Não é segredo que a EA tem problemas em seus servidores, que acaba gerando vários [imprevistos no] gameplay de FIFA. O resultado é a presença do delay [atraso] e quedas de conexão, elementos que prejudicam as partidas. Em relação ao Brasil e América do Sul, sofremos muito mais com isso, pois a maioria dos servidores está no exterior”, conta Rafifa.

Rafael ressalta que deve haver uma adaptação do jogador para imprevistos no gameplay, apelando um pouco mais para a sorte: “as mudanças exigem do jogador que se adapte e isso é normal. Porém, minha principal reclamação é que tivemos várias atualizações que tornaram o jogo muito imprevisível. Aumentou muito o número de partidas que você joga muito mais que o adversário, mas acaba perdendo graças ao fator ‘sorte’”.

O jogador concorda que o imponderável faz parte do game assim como no esporte, mas está acima do desejado: “a sorte é cada vez mais determinante em FIFA 18. Claro que é um simulador de futebol e a sorte faz parte do esporte, mas estamos falando de um esport, e isto faz com que este seja um fator que está afetando além da conta”.

O que deveria ser feito? A EA não dá o devido suporte para a comunidade? Sobre estas perguntas, Rafifa acha que a EA está preocupada, mas a comunidade tem que estar sempre alertando sobre os problemas: “a EA Sports escuta bastante os fóruns gringos e tiram um feedback, mas a opinião geral da comunidade, como criadores de conteúdo e jogadores profissionais, é de insatisfação com FIFA 18 desde seu lançamento. Sabemos que a EA está trabalhando para isso, mas nós, como consumidores do jogo temos o direito de se posicionar e sugerir melhorias”.

O FUTURO EM JOGO

Rafael publicou em sua conta oficial no Twitter, em 11 de fevereiro, que “A vontade de chorar é grande… mas a de desistir desse FIFA é maior ainda”. Será que os problemas no circuito competitivo são tão grandes a ponto de colocar em xeque seu futuro? “Minha manifestação foi uma coisa do momento, de um final de semana complicado. Os elementos que citei acima contribuíram, mas acho que não devia ter chegado a este ponto. Estou em desvantagem para classificação para a próxima etapa do Global Series, mas vou atrás da classificação”.

Se o futuro é continuar como um atleta de esports, pedimos que fizesse um balanço de seu primeiro ano como atleta oficial do Paris-Saint Germain: “ótimo até agora. A mídia que acabei ganhado por ser uma atleta do PSG é muito positiva, permitiu que eu desse grandes passos não só no cenário competitivo de FIFA, mas nos esportes eletrônicos em geral. Representar um grande clube como é o PSG é um grande trunfo não na área esportiva, mas no marketing. Fico muito feliz por ser atleta deles e desempenhar o que amo fazer”.